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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mortes Prematuras


Citando o Dicionário Aurélio, prematuro significa que se manifesta ou sucede antes do tempo; precoce.

Uma criança, por exemplo, ao desencarnar, pode parecer morte prematura para os encarnados e não ser prematura do ponto de vista espiritual, por ser exatamente o período necessário para aquela etapa evolutiva. Já alguém que desencarna com mais idade, após uma enfermidade, como foi o caso de André Luiz, pode não ser considerada prematura do ponto de vista material, mas ser prematura do ponto de vista espiritual, pois foi abreviado o tempo de vida programado, neste caso, por mau uso das possibilidades orgânicas, ou seja, um suicídio indireto.

Desta forma, a morte pode ser considerada prematura sob dois pontos de vista:
Do plano material – quando há a desencarnação daqueles ainda em tenra idade ou de jovens e adultos com perspectiva de muitos anos ainda de vida;
Do plano espiritual – quando a desencarnação é prematura em relação ao tempo programado da encarnação. A abreviação do período encarnatório pode ocorrer:
• Por mau uso das possibilidades orgânicas, em suicídio direto ou indireto;
• Por uso excessivo das possibilidades orgânicas, para o bem dos outros – não é considerado suicídio;
• Por misericórdia divina, no caso de comportamento inadequado que levasse a maiores prejuízos.

André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, respondendo à questão “Podemos considerar a desencarnação da alma, em plena infância, como sendo uma punição das Leis Divinas, na maioria das vezes?”, esclarece: “Muitas existências são frustradas no berço, não por simples punição externa da Lei Divina, mas porque a própria Lei Divina funciona em todos nós, desde que todos existimos no hausto do Criador. Frequentemente, através do suicídio, integralmente deliberado, ou do próprio desregramento, operamos em nossa alma desequilíbrios, quais tempestades ocultas, que desencadeamos, por teimosia, no campo da natureza íntima. (...) Segundo observamos, portanto, as existências interrompidas, no alvorecer do corpo denso, raramente constituem balizas terminais de prova indispensável na senda humana, porque, na maioria dos sucessos em que se evidenciam, representam cursos rápidos de socorro ou tratamento do corpo espiritual desequilibrado por nossos próprios excessos e inconsequências, compelindo-nos a reconhecer, com o Apóstolo Paulo (“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço, portanto glorificai a Deus no vosso corpo.” [I Coríntios, 6:19-20]), que o nosso instrumento de manifestação, seja onde for, é templo da Força Divina, por intermédio do qual, associando corpo e alma, nos cabe a obrigação de aperfeiçoar-nos, aprimorando a vida, na exaltação constante a Deus.”


Na obra “Nosso Lar”, André Luiz, melindrado por ser tachado de suicida, recebe a seguinte orientação: “Os órgãos do corpo somático possuem incalculáveis reservas, segundo os desígnios do Senhor. O meu amigo, no entanto, iludiu excelentes oportunidades, esperdiçando patrimônios preciosos da experiência física. A longa tarefa, que lhe foi confiada pelos Maiores da Espiritualidade Superior, foi reduzida a meras tentativas de trabalho que não se consumou. Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.”

Encontramos, no livro “Obreiros da Vida Eterna”, um caso em que a personagem Dimas não chegou a aproveitar todo o tempo a ele destinado, por sobrecarga física e emocional em tarefas voltadas para o Bem. André Luiz é orientado, a respeito do tema, conforme segue: “Dimas não conseguiu preencher toda a cota de tempo que lhe era lícito utilizar, em virtude do ambiente de sacrifício que lhe dominou os dias, na existência a termo. Acostumado, desde a infância, à luta sem mimos, desenvolveu o corpo, entre deveres e abnegações incessantes. (...) É verdade que não podemos louvar o trabalhador que perde qualquer órgão fundamental da vida física em atrito com as perturbações que companheiros encarnados criam e incentivam para si mesmos; no entanto, faz-se preciso considerar as circunstâncias em jogo. Dimas poderia receber, com naturalidade, semelhantes emissões destrutivas, mantendo-se na serenidade intangível do legítimo apóstolo do Evangelho. Todavia, não se organiza de um dia para outro o anteparo psíquico contra o bombardeio dos raios perturbadores da mente alheia, como não é fácil improvisar cais seguro ante o oceano em ressaca. (...) Segundo observamos, há existências que perdem pela extensão, ganhando, porém, pela intensidade. A visão imperfeita dos homens encarnados reclama o exame acurado dos efeitos, mas a visão divina jamais despreza minuciosas investigações sobre as causas...”

Na obra “Trilhas da Libertação”, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda conta o caso do médium Davi, que desencarnou por um fulminante ataque do coração quando intentava assassinar um oponente. “No momento da prece, em rogativa de socorro, o irmão Ernesto, sabendo da deficiência cardíaca de seu pupilo, exortou, sem palavras, a interferência do Pai para evitar uma tragédia mais grave, no que foi atendido.”

Em todos esses casos, não há injustiça de Deus e sim a Sua misericórdia e justiça. A vida verdadeira não é a vida física e sim a vida espiritual. O Espírito Sanson, na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; assevera: “Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra.”

Fonte: http://licoesdosespiritos.blogspot.com.br

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“Os guerreiros se preparam para serem conscientes, e a total consciência vem a eles somente quando não há mais nenhuma auto-importância restando neles. Somente quando eles são nada é que eles se tornam tudo.” Carlos Castaneda