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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Lei de Causa e Efeito

Introdução

A Lei de Causa e Efeito, conhecida também com o nome de Lei de Ação e Reação ou Lei do Carma, é uma lei natural, espiritual e universal, essencial para a evolução das almas.
André Luiz [Ação e Reação] nos diz:
“É a conta do destino criada por nós mesmo, englobando os créditos e os débitos 
que em particular nos digam respeito. É o sistema de contabilidade do Governo da Vida.”
Consiste, portanto, nos padrões de hábito que uma pessoa estabeleceu e as repercussões desses padrões sobre si mesma e sobre os outros.

Princípios Fundamentais

Allan Kardec examina [CI - cap. VII] com profundidade a Lei de Causa e Efeito. Através de 33 itens, ele tece inúmeros comentários importantes a respeito. Apresentamos uma síntese:

a) “O estado feliz ou desgraçado de um Espírito é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. A completa felicidade prende-se à perfeição. Toda imperfeição é causa de sofrimento e toda virtude é fonte de prazer.”

O homem sofre em função dos defeitos que tem: a inveja, o ciúme, a ambição, os vícios sociais são as causas fundamentais dos sofrimentos. Diz Kardec, que a alma que tem dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que a que tem três ou quatro.
Portanto, o único caminho que nos levará à felicidade completa é o do esforço constante no combate às más inclinações, através da reforma íntima;

b) “O bem como o mal são voluntários e facultativos: livre o homem não fatalmente impelido para um nem para outro.”
Em [LE - qst 645] os benfeitores espirituais afirmam que não há arrastamento irresistível. 
O homem tem sempre liberdade de escolher entre o bem e o mal e seguir o caminho da correção ou do vício. Por esse motivo, por ter escolhido livremente a opção a tomar, ele torna-se responsável pelos seus atos. Emmanuel diz:

“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.”

c) “A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles deu origem quer provocando-os pelo exemplo quer não os impedindo quando poderia fazê-los.”

Perante a Lei de Causa e Efeito não existem “vítimas”. Só respondemos pelos nossos atos e jamais pelos atos alheios. A ninguém deve o homem culpar em caso de sofrimento, a não ser a ele mesmo, pela sua incúria, seus excessos ou a sua ambição.
Quando mais de uma pessoa vêm a cometer o mesmo erro, tornam-se todos incursos na Lei de Causa e Efeito e, muitas vezes, deverão, juntos, repararem esse erro. Muitos casos de calamidades coletivas, expiações de grupos ou famílias inteiras enquadram-se nessa situação.
O carma, portanto, pode ser:

• Individual: um único Espírito está incurso na Lei;

• Familiar: quando vários membros de um mesmo núcleo familiar estão inseridos no processo cármico;

• Coletivo: quando toda uma coletividade comprometeu-se com a mesma falta.

d)”A alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem necessidade de lugar circunscrito.”

Céu e Inferno, ensina-nos a Doutrina Espírita são estados de consciência. O primeiro corresponde a uma consciência tranqüila em função do serviço bem feito e da atitude sempre correta. O segundo existe em decorrência da culpa, do remorso, que cria para a alma viciosa um campo magnético negativo, através do qual as obsessões, as enfermidades físicas ou psíquicas, ou mesmo os lances desditosos da existência vão se desenvolver.

André Luiz denomina “zona de remorso” a esta área que se estabelece na consciência do homem ante a atitude incorreta. Segundo este autor, a “zona de remorso” será responsável pela radiação doentia que vai infelicitar o perispírito do indivíduo, carreando para ele uma série de possibilidades dolorosas


Mecanismo da dor

e) “Toda falta cometida é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for na mesma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes.”
Muitas oportunidades, as faltas cometidas numa existência, podem ser reparadas na mesma encarnação; outras vezes, somente na existência posterior terá a alma culpada condições de resgate; e, em determinadas situações, serão necessárias diversas encarnações para que a dívida seja saldada.

Bezerra de Menezes [Dramas da Obsessão] lembra que em algumas oportunidades a alma culpada não possui condição evolutiva ou estrutura psicológica para receber a carga de sofrimento, decorrente do erro. Nestes casos, a lei dá-lhe um tempo de moratória para que se estruture intimamente e possa, no futuro, responder pela falta. Registramos as palavras do benfeitor:

“Existem obsessores tolhidos numa reencarnação para a experiência de catequese, quando, então, todas as facilidades para um aprendizado eficaz das leis do Amor e da Fraternidade lhes serão apresentadas. Muitos, só mais tarde, em encarnações posteriores, estarão em fase de reparações e resgates.”

f) “Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências.”

Allan Kardec comenta [LE - qst 973]: “cada um é punido naquilo em que errou”; porque observa-se uma correspondência íntima entre o tipo de sofrimento e o tipo de falta. André Luiz [Ação e Reação] apresenta várias possibilidades, como mostra o quadro abaixo.

Lei de Causa e Efeito

Falta e Resgate

• Aborto -> Esterilidade, doenças genitais

• Incontinência sexual ou erros no amor -> Impotência sexual ou frigidez, decep-
ções da vida afetiva

• Ociosidade, indolência -> Desempregos, má remuneração profissional, paralisias

• Calúnia ou maledicência -> Doenças das cordas vocais

• Beleza física mal canalizada -> Doenças de pele

• Erros cometidos no esporte e na dança -> Reumatismos diversos

• Inteligência canalizada para o mal -> Hidrocefalia, oligofrenias

• Suicídio -> Doenças congênitas graves, acidentes 
mortais na infância e adolescência

g) “A mesma falta pode determinar expiações diversas, conforme as circunstância atenuantes ou agravantes.”

Os fatores condicionam sempre a gravidade de uma falta: a intenção e o conhecimento do erro. Embora as faltas sejam sempre as mesmas, a responsabilidade do culpado ante o deslize será maior ou menor em função do grau de conhecimento que ele possui e de sua intenção ao cometê-lo.
Com relação ao grau de adiantamento, Kardec informa que as almas mais grosseiras e atrasadas são, via de regra, mais atingidas pelos sofrimentos materiais, enquanto os Espíritos de maior sensibilidade e cultura são mais vulneráveis aos sofrimentos morais.

h) “Não há uma única ação meritória que se perca: todo ato meritório terá recompensa.”
A Lei de Causa e Efeito não apenas pune o culpado, mas também premia a alma vitoriosa. Denomina-se “carma positivo” aos condicionamentos sadios que o Espírito atrai para si, em decorrência de atitudes corretas e vivência altruística;

i)”A duração do castigo depende da melhoria do culpado. O Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar o sofrimento pela persistência no mal ou suavizá-la ou mesmo superá-la em função de sua maneira de proceder.”
Kardec mostra que não existe condenação por tempo determinado. O que Deus exige, por termo do sofrimento, é um melhoramento sério, efetivo, sincero de volta ao bem;

j)”Arrependimento, expiação e reparação constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta.”
O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. Mas não basta o arrependimento, embora ele suavize os cravos da expiação.

A expiação consiste nos sofrimentos físicos ou morais que são conseqüentes à falta, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.

A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, achar-se numa encarnação ulterior em contato com as mesmas pessoas de modo a demonstrar reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.

Fases do resgate do erro

1. Arrependimento

2. Expiação

3. Reparação

Fonte: Curso Básico de Espiritismo - http://bvespirita.com

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“Os guerreiros se preparam para serem conscientes, e a total consciência vem a eles somente quando não há mais nenhuma auto-importância restando neles. Somente quando eles são nada é que eles se tornam tudo.” Carlos Castaneda